O passe estudantil e o barraco.
Ontem eu tinha apenas um passe estudantil na bolsa que seria utilizado para voltar para casa. Como eu não sabia se iria realmente receber meus vales-transpobres (by Paty), resolvi comprar mais alguns no meu horário de almoço, para garantir. Ao meio-dia, fechei a loja e fui separar o controle de compra e o dinheiro. Cadê o dinheiro?! Tico e Teco pensaram furiosamente, até descobrir que a grana tinha ficado na bolsa que usei domingo à noite. Ninguém merece. Mas tudo bem. Eu ainda tenho um passe e, no dia seguinte, providenciaria a compra de outros. Deu um estalo. Fui olhar se a carteirinha estava comigo. Não estava. Tinha ficado no bolso da saia que havia usado na segunda-feira. Ótimo. Estava ficando cada vez melhor... Sem dinheiro, sem vales-transpobres, sem ninguém a quem pedir emprestado e com um único passe estudantil, SEM CARTEIRA. Eu mereço!!!
Mas, nesses momentos de agonia, quando você já está pensando em gastar 30 minutos do seu tempo andando de salto, à noite, no calçamento, para chegar em casa, você pergunta "
E agora? Quem poderá me defender?" E aí o Chapolin Namorado aparece e te dá uma grana para você voltar pra casa, já que, infelizmente, uma incompatibilidade de horários não permite que ele te dê carona. E você, feliz da vida, sai do trabalho e vai pro ponto, pega o ônibus de sempre, no mesmo horário, com alguns lugares para sentar. Senta ao lado do cobrador porque ele ficou te devendo o troco. E aí você o escuta dizer para um garoto de mais ou menos 10 anos, que passou com passe estudantil, mas não mostrou a carteira:
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Hey boy, dá proxima vez não esqueça ok?
Ele falou calmamente, alto o suficiente para que o garoto ouvisse, mas não tão alto a ponto de ser grosseiro. E aí começou o barraco. Uma mulher de aparente 35 ou 40 anos, com uma aparência até distinta (até abrir a boca) foi dizendo:
- Quem você pensa que é para falar com meu filho dessa forma? Eu, que sou a mãe, não falo com ele assim e você vai falar?! blá blá blá blá Da próxima vez que for se dirigir a uma criança é melhor olhar bem se ela está sozinha porque blá blá blá blá.
-
Minha senhora, eu pedi porque é uma obrigação minha, da mesma forma que é uma obrigação dele mostrar e... - foi interrompido pela senhora.
- Mas você foi muito grosseiro e não havia necessidade disso e blá blá blá blá
Depois de muito buzinar no ouvido do pobre cara, ela foi andando e resmudando e seu blá blá blá continuou até ela descer. Assim que ela ficou longe o suficiente, o cobrador disse:
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Nessas situações eu sempre me calo porque brigar com gente doida nunca dá certo.
Eu, que estivera observando a cena com cara de não-creio-no-que-estou-vendo, não aguentei e explodi numa crise de riso. Gente!! Pelo amor de Deus!!! Me digam, por favor, o que
djiabos leva alguém a gostar de barraco? Se gosta de chamar atenção, faça algo bom e se sobressaia. Mas se expôr e expôr aos outros dessa forma ridícula?! Tenha a santa paciência. Será que esse povo não sabe que nada, nada mesmo, vale uma descida do salto? E principalmente por algo tão pequeno? E que se consegue deixar alguem muito mais baixo que o chão apenas com simples, calmas e claras palavras, proferidas de forma educada e só para a pessoa em questão? Mas isso só quando o caso for muito grave, porque, definitivamente, se estressar porque um cobrador fez o trabalho dele, pedindo a carteira de estudante de alguém, tá fora de questão.
Aff... Que povo sem classe!!