sexta-feira, julho 30, 2004

Desabafo
Ando cansada demais. Quando percebo estamos em agosto e o ano já termina e ainda há tanta coisa para fazer. Tantos planos, tantos sonhos que ainda não se realizaram...

Uma eterna insatisfação comigo mesma anda me incomodando por demais, ultimamente. Uma solidão que parece maior que meu peito me lembra sempre que mudanças se fazem necessárias.

Mas mudar como? Muitas vezes sinto que nunca consegui viver nada de maneira plena. Quase como se apenas molhasse os pés na água, sem no entanto, nunca mergulhar. E ando precisando mergulhar, sentir por alguns segundos a ausência do chão. Pensar que estou me afogando. Viver com intensidade e vontade tudo o que se apresenta para ser vivido.

Mas, tenho medo. E é estranho confessar isso aqui, (mas que lugar melhor para se fazer confissões que um banheiro?), mas sou covarde.Vivo com medo. Medo de ousar, de acreditar, de incomodar... Vejo amigos que se afastam e outros que poderiam ser e no entanto, tenho tanto medo de incomodá-los que me calo, antes mesmo de esboçar alguma aproximação.

No msm observo as entradas e saídas e fico imaginando as amizades que dali surgem, morrendo de inveja, por não poder ser/ter uma delas. Às vezes ensaio e balbucio poucas frases, para logo me sentir incomodando e me calar, mais uma vez.

E no final descubro que meu medo é único e não vários. Tenho medo de sentir. Pois sinto tudo tão imensamente que temo que esse sentimento transborde em meu peito e eu já não seja mais capaz de fugir.

Escondo-me atrás de palavras, muralhas de poesia, mas ultimamente elas andam ruindo todas...

quarta-feira, julho 28, 2004

Porque o filme sobre a vida de Cazuza mexeu muito comigo... O meu post de hoje vai ser igual ao do meu blog particular.
 
Porque fazia muito tempo que eu não chorava vendo um filme... 

"Disparo contra o sol,
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas,
Eu sou o cara..."

"Cantando a gente inventa. Inventa um romance, uma saudade, uma mentira... Cantando a gente faz história. Foi gritando que eu aprendi a cantar: sem nenhum pudor, sem pecado. Canto pra espantar os demônios, pra juntar os amigos. Pra sentir o mundo, pra seduzir a vida."

"... Cansado de correr
Na direção contrária,
Sem podium de chegada
Ou beijo de namorada,
Eu sou mais um cara..."

"Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta. Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes. Mas você tá vivo, e essa vida é pra se mostrar. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho."

"... Mas se você achar que eu estou derrotado,
Saiba que ainda estão rolando os dados,
Por que o tempo,O tempo não pára..."

"Sou da geração do desbunde. Nunca tive saco pra milico, desfile, gente com medo. Todo mundo ficava paralisado, mudo, anestesiado. Não dava pra fingir que não tinha nada. Pra mudar alguma coisa a gente teve que gritar, se drogar, ir pra rua, enfrentar a nossa própria fraqueza. Era uma maneira de não se render. De não ficar careca, careta."

"... Dias sim, dias não,
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta..."

"Estou escrevendo numa tarde cinzenta, fria. Trabalho pra espantar a solidão e meus pensamentos. Perdi muito tempo com este segredo. Hoje eu assumi publicamente a doença. Dizem que gente grande faz assim. Talvez eu esteja ficando grande. Mas ainda tenho muitos medos: medo de voar, de entrar no palco, de amar, de morrer... de ser feliz. Medo de fazer análise e perder a inspiração. Ganho dinheiro cantando as minhas desgraças. Comprar uma fazenda e fazer filhos, talvez fosse uma maneira de ficar pra sempre na Terra. Porque discos arranham e quebram? as pessoas, esquecem. Amor, Cazuza."

"... A  tua piscina esta cheia de ratos,
Tuas idéias não correspondem aos fatos,
O tempo não para.
Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades,
O tempo não para,Não para, não, não para!..."

" Os ignorantes são mais felizes .. eles não sabem quando vão morrer. Eu não .. eu sei que eu tenho um encontro marcado..As pessoas esquecem o que precisam fazer..eu não posso me dar a esse luxo! Faço tudo caber nos meus próximos poucos dias .. todas as idéias que eu teria, as pessoas que eu conheceria. O que eu ainda fosse cantar .. Estou grávido .. mas não posso esperar... "

"...Eu não tenho data pra comemorar,
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulhas no palheiro,
Nas noites de frio é melhor nem nascer,
Nas de calor se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros..."

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue... bonita e breve... como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."
 
"... Te chamam de ladrão de bicha maconheiro,
Transformam um pais inteiro num puteiro,
Pois assim se ganha mais dinheiro.
A tua piscina esta cheia de ratos,
Tuas idéias não correspondem aos fatos,
O tempo não para.
Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades,
O tempo não para,
Não para, não, não para!"

"Parabéns ao Daniel de Oliveira que encarnou muito bem o personagem...

E Viva Cazuza!!!

segunda-feira, julho 26, 2004

Antes de tudo quero agradecer aos votos de melhoras; Já estou em casa, sob tratamento, mas só o fato de voltar para casa já me deixou mais feliz.
Não costumo postar textos "copiados" aqui no nosso banheiro, pq temos assuntos dos mais variados para dar e vender.
Mas tanto pelo meu estado de saúde/emocional e tb pelo conteúdo do texto, dessa vez vale muito a pena dar uma lida no texto. Afinal Martha Medeiros é sempre Martha.

Depois que estive internada por problemas de saúde que se agravaram por conta de problemas emocionais, pude sentir o quanto há de verdade nessas palavras dela. Não cheguei aos 41 anos, mas de certo modo cheguei a metade do caminho. E pude perceber num simples problema de saúde o quanto eu perdi tempo com coisas que não merecem paciência.
Voltei do hospital e a primeira coisa que fiz foi mandar a minha empregada embora. Tá sei, tenho outros graves problemas, mas esse já é um primeiro e grande passo. Um atalho. Quero agora ter paciência só para ser feliz.
Afinal, quanto tempo mais devemos perder nesta vida?

Um grande beijo a todos.
ps: Gema, não apaguei o post; achei uma gracinha; Obrigada pelo carinho.


Atalhos
05 de julho de 2004
Martha Medeiros


Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão.
Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48.
Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar.
É preciso encontrar logo o caminho do gol.Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar.
E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade.
Paciência para ver a tarde cair.
Paciência para sorver um cálice de vinho.
Paciência para a música e para os livros.
Paciência para escutar um amigo.
Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
Pra enrolação, atalho.

sexta-feira, julho 23, 2004

Caramba!! Eu esqueci completamente que hoje era o dia da Flávia!! Mas eu só estou vindo para dar satisfações por ela (gema... quando tu vier postar, apaga isso visse?).

A bichinha... Nunca vi criatura tão carregada. Iemanjá Rainha do Mar Oxalá Meu Pai. Banho de descarrego nela!!!. Tá no hospital (até onde eu sei) fazendo uns exames, porque andou tendo uns piripaques, uma bilôra, um catatau assim. Mas fontes seguras me informaram que (ao menos até agora) o "causo" não é muito sério.

A miséria é que a criatura tá ilhada. É... Porque já tentei ligar pro celular, mandar mensagens e nada...  Mas tudo bem... Esperança é a última que morre. Mais tarde vou tentar ligar pra casa dela... Não é possível que lá também ninguém atenda né?!?!

Gema!! Brincadeiras à parte... Estamos torcendo por você viu?!

Muita luz, muita força e muita fé.

Beijos de "nóis".