quarta-feira, outubro 20, 2004

Alienação


No cabelereiro mudou cabelo. Cor e tamanho. No cirurgião-plástico reduziu gorduras e criou contornos, qual boneca de modelar.

Nos shoppings acompanha as capas de revista, transvestindo-se de cores e marcas da moda. A noite, meleca-se de cremes e promessas de juventude eterna.

O outro na cama é acessório, conquista dispensada na manhã seguinte. Não sorri mais por que sorriso está fora de moda.

O amor, ah, esse é produto descartável. E assim segue todos os seus dias, em busca da alienação perfeita e a sua maior felicidade vai ser quando puder enxergar outra, que não ela mesma, no espelho.



quarta-feira, outubro 13, 2004

"Deturpando" o ambiente.

Há mais ou menos dois ou três anos fui convidada para ir, pela primeira vez, até a Cachoeira do Roncador. Um lugar maravilhoso que fica há mais ou menos duas horas de viagem aqui da cidade. Isso se você não errar o caminho, porque se errar, só vai chegar lá quase cinco horas depois. E bastante enjoado, devo dizer!! Minha primeira experiência lá teve esse "pequeno problema". Erramos o caminho, mas chegamos.

Depois de seguir por uma estrada de terra que parecia não acabar nunca, e de passar por uma ponte estreita de madeira, assustadoramente velha, chegamos a um bar e deixamos os carros sob a sombra das árvores. Seguimos uns 200 metros à pé, no meio de uma plantação de bananeiras cheia de saguins (é assim que se escreve), até avistarmos umas pedras, de onde já podíamos ouvir o barulho da queda d'água. Andamos mais uns 30 metros no meio de pedras até avistá-la. Linda. Deserta. Maravilhosa. Se aquilo não era o paraíso deveria chegar bem perto.

Domingo passado esse percurso foi feito em duas horas. A ponte ainda é a mesma, mas o bar cresceu. O caminho entre as bananeiras está mais definido e, por lá, também passam motoqueiros. Nas pedras onde antes começávamos a ouvir o barulho das águas, agora ouvimos pagode e axé. No meio daquele paraíso agora tem um bar (!!?!?!). É. Um bar. Totalmente deslocado no meio daquele natureza toda. Deturpando o ambiente.

E eu me pergunto que djiabos de juízo tem na cabeça alguém que constrói um bar no MEIO de um paraíso daquele?! Provavelmente, ele deve ser da mesma família do doido que contruiu outro bar NO MEIO da Pedra de Santo Antônio.

E não me diga que alguém precisa ganhar a vida... O dono do outro bar, há duzentos e poucos metros também precisa. E não "deturpou o ambiente" pra isso. É tudo uma questão de bom senso...

Certas coisas me revoltam...

sexta-feira, outubro 08, 2004

Parabéns para você...

Dia de aniversário pede festa, bola e é claro, bolo! É esse aqui parece ter sido feito de encomenda para a aniversariante JADY!

Na cama, o namô tentando se esconder da gente e em volta, os milhares de presentes que ela merece.

Felicidades para você, Amiga!

Créditos da imagem: Patricia Schmidt

quarta-feira, outubro 06, 2004

Saudades

Um tempo atrás eu perguntei lá no meu outro blog qual era a cor da saudade, muitas foram as opiniões, mas ainda assim, nenhuma se encaixa tão bem... Continuo sem saber qual é a cor da saudade, mas se ela tem uma música sem dúvida é essa aqui, do meu amado, idolatrado, salve, salve Chico Buarque:

Cadê Você (Leila XIV)

Me dê noticia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar

E essa música vem assim para dizer para a Aldy e para Flá que estou com muitas saudades da nossa turma de banheiro. Ainda bem que a Jady continua, senão eu seria uma tristeza só...