segunda-feira, maio 10, 2004

O relógio

E alguns dias você olha para a rua e vê as pessoas andarem apressadas. Tudo parece andar muito mais rápido do que seus olhos podem acompanhar e a sensação que você tem é de que todos correm. Inclusive você. Todos tem pressa. Pressa de tudo. De sair de casa, de pegar o ônibus, de trabalhar, estudar, ir ao médico. Pressa de fazer compras, de voltar pra casa, comer, tomar banho e escovar os dentes. Pressa em se vestir novamente, sair e chegar ao encontro dentro do prazo. Pressa em conhecer mais e mais pessoas. Pressa em torná-las amigas. Pressa em torná-las mais que amigas. Pressa em amar e "amar".

Tudo parece apressadamente cronometrado. A hora de conhecer, a hora de beijar, a hora de "amar", a hora de compartilhar. E o relógio nessa hora corre mais que nunca. A hora de mentir, a hora de ser sincero, a hora do acerto de contas, a hora das lágrimas, a hora da despedida final. E, nessa hora parece que o relógio dá um tempo e você olha ao redor. Descobre que o relógio não deu um tempo, ele "parou". Você se sente suspenso no tempo e no espaço, sem horas, minutos ou segundos.

Tudo o que você consegue ver são as engrenagens daquele relógio maluco que sempre funcionou tão bem e por tanto tempo. E, entre molas, você olha para seu vazio interior e não escuta o tic-tac. Fecha os olhos e "vê" o mundo em sua simplicidade, sente a brisa, escuta os sons do silêncio. Nessa hora, sem prazo para terminar, começa a arrumar o relógio. E sabe quando ele vai funcionar novamente?

Quando você achar um motivo para contar os minutos e os segundos. Quando você achar um motivo para "ter pressa".

A todos uma ótima semana. Beijos e tudo de bom.

sexta-feira, maio 07, 2004

De volta!!!
Agradecendo primeiramente a todos os coments deixados carinhosamente pra mim e minha familia.
E claro naum esquecendo o enorme apoio que minhas amigas e companheiras de blog me deram nesse tempo dificil.
Crescer doi muito, principalmente quando esse crescimento se dar atraves de percas irreversiveis e irreparaveis.
Mas vamos tocando o barco em frente, que se uma coisa ficou marcado em mim, foi a certeza que nossa vida eh intensamente breve, e naum devemos jamais perder tempo algum. E agente costuma saber disso, mas tambem nos acostumamos a naum colocar em pratica sempre.
Eu sempre tive muito medo de perder alguem que amo; E depois de tudo esse medo aumentou, deixando a enorme necessidade da companhia constante das pessoas que amo, diariamente.
Todas as vezes que falo com a minha mamis por exemplo, eu sinto que devo dar o maximo de amor possivel ,me indagando ser for a ultima vez?
Eh claro que como tudo nesta vida, isso tem dois lados. Um positivo, por aproximar mais e deixar de lado certas imcompatibilidades de ideias;
E um lado negativo, por me deixar paranoica, pensando que a qualquer hora eu posso receber a mesma noticia, taum chocante como a ultima.
Mas pensemos no lado bom, e por este lado, eu decidi sempre que posso, deixar bem claro tudo o que sinto, sempre;
Viver cada dia como se fosse o ultimo....
E aproveitando a passagem do dia das maes, que muita gente considera puramente comercial, deixo essa reflexaum pra voces.
Domingo, segunda, quarta... sempre... quando voce falar com sua mamis, de mais amor possivel, porque as vezes a vida nos surpreende, nos tirando essa oportunidade, nos deixando um imenso vazio e uma impressaum de: " eu podia ter feito mais... eu podia ter dado mais..."
*Gastamos muito tempo de nossa vida construindo alguma coisa, que mais cedo ou mais tarde uma onda poderah vir a destruir tudo que levamos muito tempo pra contruir.
Quando isso acontece, somente aquele que tem as maos de alguem para segurar, serah capaz de sorrir.
Soh o que permanece eh o carinho, o amor e amizade... o resto?
O resto eh feito de areia.*


Um super beijo a todos, em especial as mamaes!

( * Trecho do texto: Castelo de Areia. Autor desconhecido)

obs: o post contem erros na escrita, pq o blogger naum aceita acentos

quarta-feira, maio 05, 2004

E como é difícil ser gente...

Pensando na vida, lembrava do começo da faculdade e na dificuldade em me expressar, por medo, vergonha... não sei!

Uma vida inteira de NÃOS!...

Não pode!
Não faça!
Isso NÃO é da sua conta!

Aí num belo dia, alguém diz: - Perguntem! Pois que maravilha, aí ninguém tem dúvida nenhuma! Que foi, perderam a língua!?

Pensei...

Como é contraditório SER humano...

Vida de fases...
Tudo a seu Tempo...

E lá estávamos nós, descondicionando o condicionado...

Outras perguntas vieram: - E aí, a comida está boa!? Desta vez, a resposta veio firme, com todo o vigor da “autorização”, ora concedida: - NÃO! Não gosto muito de alho...

Os olhos espantados denunciaram a surpresa... SIM era a resposta da vez! Era a resposta esperada...

E lá estava ela... Esperando o Inesperado...

Desconfiado, o outro logo pensa: Despeitada! Invejosa! Mal educada, é certo que nem cozinhar sabe!

Persistente e com os dois pés atrás, pergunta novamente o "invejado": - E a sobremesa!?

Está ótima! Responde o “mal educado”, agora arrependido de ter sido tão sincero da primeira vez...

Está mentindo... É certo que não gostou e está falando isso só para agradar, (pensa o dono da casa...) Falsa! Nunca mais a convido pra almoçar...

“Ser gente é muito complicado, alguém viu o Manual de Instruções!?”


segunda-feira, maio 03, 2004

Quando é preciso confiar


Ele ergueu as mãos e disse: - Venha. Ela quase foi. Parou. O pé perdido no nada, em frente ao abismo. Ele disse: - Pule.Eu estarei aqui. Ela quis ir. Mas havia no peito a certeza da queda. E mesmo sabendo dos braços estendidos a sua frente. Ela não foi.

Ele estava ao seu lado. Ela de olhos vendados. Ele disse: - Siga. Eu guiarei teus passos. E no inicio ela até foi. Confiando no mão ao seu lado. A dizer onde pisar. Mas, no instante final, ela hesitou. Certa de que a estrada era ingreme e pedras insistiriam em brotar em seu caminho.

Ainda uma vez, ele pediu: - Esqueça as vozes ao lado. Ouça apenas a minha. E ela se fez surda às vozes presentes. Na sua mente, só o som dele, concentrada nos lábios que lhe diziam: - Vem. Mas, de repente, parecia-lhe sem sentido não ouvir o que outros lábios sussurravam. E ela já não mais, conseguia-lhe ouvir.

Ele partiu. Ainda pode ver a despedida refletida nos olhos dele. Ela ficou, com a certeza da estrada, as múltiplas opções do caminho e das vozes, mas a solidão que chegava com o anoitecer, começava a embotar-lhe os sentidos.