segunda-feira, maio 31, 2004

Sutilezas


No 1 + 1, me encaixo no macho,
mas não me acho.

Na equação do 1 = 1
sou machofêmea,
efêmera mistura
que não me convém.

é no 1 e 1 que sou fêmea verdadeira,
indivídua, por inteira
me descobrindo no amor.

sexta-feira, maio 28, 2004

Quando os olhos se encontram...

... O tempo pára e o mundo gira numa velocidade alucinante. Chegamos a sentir um pouco de vertigem. A respiração fica suspensa por segundos que parecem horas. E aquele ar preso sobe à cabeça como um tufão, fazendo os pensamentos voarem a velocidade da luz. Desconexos, aos borbotões. E tudo termina numa explosão branca de luz. De repente, todos os pensamentos somem. Desaparecem. Vão embora. Nessa hora o mundo gira mais devagar. E você volta a ter noção das coisas e pessoas que te cercam. Os olhos brilham. O sorriso aflora. Nos seus ouvidos o tum-tum-tum do coração acelerado. A sensação de frio na barriga que lembra o vento levantando as folhas douradas de outono.

Isso, é estar apaixonado. E tudo acontece em segundos.

Você lembra quando sentiu isso pela última vez?

quarta-feira, maio 26, 2004

Um grande amor

Ela jura que nunca mais vai falar com ele. E ele do outro lado da cidade olha pro telefone, e num impulso, termina digitando o número dela. O celular toca, e ela nem acredita que está vendo o nome dele piscar no visor... Logo aquele nome que ela jurou que não ia atender.
Impossivél.Ela atende. Em pouco mais de meia hora estão frente a frente. O que dizer? como criar coragem de falar que aquela será a última vez que eles se falam?
Ela lembrou das palavras que uma amiga tinha dito minutos antes dela encontrar com ele: " deixe ele falar primeiro, só depois fale o que tiver vontade".
E ele fala.
Só que ele fala tudo que ela não queria escutar. Aliás, querer ela queria, mas não naquele momento em que tinha decidido, de uma vez por todas, encerrar a novela de 5 anos.
Ele falava, ela chorava.
Ele olhava, e ela soluçava.
Sentimentos sendo expostos com uma maestria impressionante. E ela pensava que devia estar sonhando, afinal admitir literalmente que sente falta do outro, pra ela, nunca foi uma coisa fácil de se fazer/dizer.
Mas ele, como em todo casal, é diferente dela. E sem nenhum constragimento, colocou pra fora tudo o que ele sentia... toda a falta, toda a dor, todo o sentimento que pulsava entre eles.
E depois de tudo, ela sem saber como falar, num impulso raro, criou coragem:

- Eu vim aqui pra te dizer que nunca mais queria vê-lo; Que é melhor seguirmos caminhos diferentes de uma vez por todas. Mas vendo você, vendo todo amor que ainda sentimos um pelo outro... e por toda a vida que não vivemos ainda... Eu simplesmente admito que não é isso que eu quero.

Depois disso, eles não fizeram amor, como nos filmes. Ele apenas a beijou. Mas ela passou o resto do dia, pra não dizer o resto da semana, com uma felicidade estampada no rosto e a certeza que não adianta fugirmos do nosso destino, porque certamente mais cedo ou mais tarde ele bate a sua porta...
e o que fazer?
Segui-lo, apenas isso.


Dei uma de Patrícia Gema agora, e transformei sentimentos em um conto.
Estou tão confusa, que passei horas pensando no que escrever aqui; E conversando com a Jady ela me deu essa sugestão... Por que vc não fala do AMOR, que aliás é uma coisa que a maioria das escritoras e visitantes deste humilde blog nunca sentiu, não é meninas?

Um beijo a todos e muito amor em seus corações.

segunda-feira, maio 24, 2004

Tempo de fazer dar CINCO...

Estava aqui pensando o na reportagem de outro dia, que tratava da obrigatoriedade de disponibilizar vagas em universidades públicas, para os alunos da rede pública.

Ora que até seria uma boa, não fosse mesmo a confirmação (do que todo MUNDO já sabe) e o reconhecimento por parte de quem é de direito (o governo), que a educação é mesmo uma bosta! Com perdão da palavra...

Junto com a educação, vão a saúde e a segurança, aliás, que segurança!? Ouço os dizeres, de quê no Brasil, não temos terrorismo, não temos "convulsões" da natureza, que somos um país abençoado! É certo que somos...

Não temos as "divergências religiosas", que em nome da "fé", lavam as ruas com sangue inocente. Não temos homens bombas, que em nome da "causa" destróem lares e famílias inteiras, mutilando ou matando o ente querido, tirando-lhe o direito de saber ao menos, qual fora o delito cometido, para receber tamanha pena de morte.

Sim... É certo que somos abençoados.

Porém, não menores são os nossos problemas como: a fome, a miséria, a corrupção. Mas se ainda assim, estamos de pé, é porquê de fato, somos muito fortes!

As vezes me sinto desanimada com TUDO isso e em dias assim, procuro "tentar" lembrar que tenho dois braços, que posso andar, que posso enxergar, que faço parte de um "seleto" grupo de pessoas que consegue concluir a faculdade no Brasil.

Tanto esforço, no entanto, não é garantia de NADA para ninguém. Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, SÓ estudar já não basta! É preciso ser BOM...

É preciso fazer dar cinco!

"No MUNDO em que vivemos, 2+2, há de ser igual a 5! O tradicional 4, já não serve mais..."


sexta-feira, maio 21, 2004

Ela despe blusas e calças. Sapatos e maquilagens. Acessórios, penteados... Máscaras de tristezas e alegrias. Desnuda-se frente ao espelho grande. Descobre rugas e trilhas de cabelos brancos. Saudades escondidas no fundo dos olhos. Ausências de beijos, braços, carinhos sobre as fronhas. Silêncio no espelho e no quarto.

Não há mais tempo, ela pensa. E despede-se também das lembranças. Cartas, livros, promessas desfeitas, amores impróprios...Pela janela, redemoinhando no vento, fragmentos do seu passado.

No espelho grande ainda existem rugas e caminhos brancos. Mas os olhos não trazem mais saudades, e sim, promessas.

quarta-feira, maio 19, 2004

O estranho banheiro

Sol e chuva. Quando era criança ouvia dizerem que era "casamento da raposa". De onde tiraram tal idéia não sei. Mas é fato que me acompanha desde então. E até hoje, quando vejo a chuva cair em dia de sol, quando sinto o cheiro quente de terra molhada, lembro da infância. Das férias passadas no sítio do meu avô. Das espigas de milho catadas às escondidas para fazer bonecas de São João. Dos bolos de aipim e milho assados em forno de lenha. Do café passado no "pano" no final de tarde, que a gente comia com biscoitos de coco ou batatas doces cozidas. Tem cheiro também de varanda, monte de palha seca e "zé mago".

Me desculpem... Me perdi no tempo.Eu queria mesmo era falar sobre o banheiro que tinha lá no sítio. Ficava há alguns metros da casa, no meio de um jardim cuidadosamente cultivado pela minha avó, com todo carinho e zelo do mundo. Na verdade, eram dois. Um ao lado do outro, colados, sendo um pra banho e outro para as "demais necessidades". Era cercado por várias plantas. Lírios, roseiras, "onze-horas", e 1001 outras flores coloridas. Sobre ele uma trepadeira com minúsculas flores rosas, brancas e vermelhas, que exalavam um cheiro adocicado. Era um recanto lindo de se ver, mas terrível de se usar. Tinha muito mato... E como mato atrai bicho... Já viu né?

Lembro que num dia assim, de sol e chuva, uma das minhas tias pegou seus apetrechos de banho e foi lá, lépida e faceira, com a toalha nos ombros, por entre as flores, em direção ao banheiro. Nesse dia eu estava lá, sentada na varanda no meio das palhas de milho, vendo um "zé mago", sentindo o cheiro de terra levemente molhada quando escutei um grito. Me assutei e, olhando na direção de onde o grito veio, vi algo que me fez "desunerar". Eu não sabia se ria, ou se ajudava.

Minha tia vinha correndo, nua, gritando, feito uma insana, com uma cobra daquelas verdes, de mato, pendurada no pescoço. E ela não tirava a cobra, só pulava ou gritava, esperando que alguém fosse ajudá-la. Todo mundo olhando, correndo e eu lá, me acabando de rir.

Aquele banheiro-estranho tem tantas histórias pra contar que perdi as contas... E foi exatamente por causa dessas histórias que meu avô resolveu construir outros dois banheiros dentro de casa e aquele, antigo, se transformou em um enorme "vaso de plantas".

Sempre tive a idéia fixa de, se eu tiver um sítio, uma granja ou algo parecido, fazer um "vaso" parecido...

segunda-feira, maio 17, 2004

Mania de Espelhos:
Toda vez que entro no banheiro do meu quarto, lembro desse nosso blog; Mas o que quero falar hj não é sobre isso... Queria falar de uma mania que tenho;
Eu tenho verdadeira mania de espelhos, que dizem por aí que é mania de pessoas narcisistas, que eu discordo, pq nunca me achei bonita;
Mas eu vivo rodeada de espelhos... Os tenho por toda a casa.
Tem até no espelho da minha cama, que eu deveria ter tirado quando apliquei o Feng Shui no lar; Mas a minha mania imperou as regras do bem estar e harmonia que essa arte milenar nos proporciona.
Mas acho que nenhum desses espelhos são mais cúmplices e mais íntimos que o do banheiro. Por mais que vc não goste, mas sempre tem um em qualquer que seja o banheiro que se vá; ele é uma das coisas indispensavéis em um lugar desses;
No banheiro meu quarto , tem um enorme, parece até camarim... com luzes, fotos e tudo que eu tenho direito. Quando compramos a casa, foi o lugar que mais gostei.
Fico imaginando, que ninguem é mais íntimo de mim do que ele; na frente dele eu fico sem roupa sem o mínimo receio; na frente dele eu faço as caretas mais feias na hora de escovar os dentes; na frente dele eu creio que vou arrasar naquela festa que pede uma produção mais elaborada;
Quantas vezes, na frente dele, eu acreditei que ao sair, eu ia conquistar de vez aquele que amo...
E quantas vezes ele me viu voltar chorando por não ter conseguido... Borrando aquela maquiagem que fiz poucas horas antes com lágrimas e um desespero sem fim;
Com tudo isso, ele acabou se tornando meu cúmplice;
Presenciando alegrias, tristezas, embriaguês, dor, felicidades... A única coisa que ele ainda não assistiu foi a momentos de amor. Sim, estou muito comportada ultimamente.
Mas ele continua sempre ali...
Assistindo a tudo ali calado... deveria ser engraçado se eles falassem como nos contos de fada; Mas ele fala sim, fala em nós mesmas, já dizia o grande mestre:

"Durante muitos anos esperamos
encontrar alguém que nos compreenda,
alguém que nos aceite como somos,
capaz de nos oferecer felicidade apesar
das duras provas.
Apenas ontem descobri
que esse mágico alguém
é o rosto que vemos no espelho."

(Richard Bach)


Parando com a viagem ao/do espelho... quero saber agora de vcs:
O que vc mais gosta no seu banheiro?

um beijo enorme e uma semana iluminada a todos.

sexta-feira, maio 14, 2004

Eu perdida de mim...

Hoje acordei desmemoriada, e assim, sem saber quem eu era, parei em frente ao espelho e me olhei...
Ví um rosto cansado, olhos sem brilho...
Quis saber da minha vida, de como haviam se passado os dias... Trinta e poucos anos, talvez...
Afinal, quem era aquela mulher?
Procurando explicação para meus medos, me deparei com pilhas de dúvidas... Amontoados num canto, estavam a fraqueza e o cansaço.
Dentro do armário haviam mágoas e segredos... Embaixo do tapete, uma chave com os seguintes dizeres:

Sejas Feliz!

Resolvi me desfazer de algumas coisas, repare como as vezes, algumas "tralhas" deixadas num canto, só servem mesmo para fazer tropeçar, mas por algum motivo a gente acaba não jogando fora, por apego, por medo ou por puro desleixo.

Joquei TUDO fora!

Abri as gavetas da pia, esvaziei... Joguei fora todas minhas angústias, rasguei bilhetes com "promessas", virei os potes de desconfiança...
Meio atordoada, juntei um pouco de raiva e embrulhei para presente... A consciência gritou comigo!

Desfiz o pacote...
Peguei a chave e saí...

"Ainda sem me lembrar de nada, mas com a certeza de que era uma pessoa melhor"...


quarta-feira, maio 12, 2004

O Desejo
Um dia, Ela achou uma lâmpada. Assim, bem parecida com a do tal Aladim. Imaginação fértil. Pensou: - Por que não? E tratou de esfregar a belezinha. Já imaginando desejos realizados.

E dai, que apareceu uma Gênia semi-nua com cara de num-tô-afim-de-conversa, mas tradição é tradição e a gênia mal-humorada tinha que satisfazer um desejo dela.- Apenas um?! - Ela quis saber. Revoltada com a enganação dos contos de fadas. - E fique feliz, porque se tivesse pego a lâmpada que foi deixada lá atrás, você é que teria que satisfazer os desejos de um gênio.

Não tendo outra alternativa, começou a pensar no que queria. Dinheiro? Isso seria bom, com dinheiro se pode ser/ter tudo. Mas tem também a violência, os interesseiros, o tédio... Pensando bem, era melhor pedir outra coisa. Podia pedir para ser a mulher mais bonita do mundo. Nãaaaao... ela ficaria muito triste com a velhice, quando perceberia que a beleza é algo efêmero. Um homem! Claro, ela pediria o homem da sua vida.

- Então, já escolheu o desejo? - Sim, escolhi. Eu quero um homem lindo, alto, sexi, inteligente, simpático, hetero, rico, que goste de cozinhar e de fazer compras em shoppings, que odeie futebol e curta documentários sobre as borboletas em extinção no paquistão, que saiba se expressar bem, fiel, que leia de Paulo Coelho até Joice, que seja sensível, mas ao mesmo tempo seja másculo. Que adore sexo e prefira dar a receber prazer. Que saiba se vestir e ache todas essas modelos magérrimas horrorosas e que nunca, nunca coce o saco na minha frente, ou peide, arrote, ou cutuque o nariz. E que
jamais, é isso é imprecindível, acompanhe a bunda de uma mulher, mesmo quando eu não estiver presente. Está feito o pedido. Pode mandar!

- Toma.
- Mas, isso aqui é uma almofada?! Não é o meu pedido!
- Tem razão, é melhor um travesseiro...
- Como?
- Ora, querida, com um pedido desse, é melhor você esperar sentada, ou melhor deitada, por que milagre é com outro departamento.

segunda-feira, maio 10, 2004

O relógio

E alguns dias você olha para a rua e vê as pessoas andarem apressadas. Tudo parece andar muito mais rápido do que seus olhos podem acompanhar e a sensação que você tem é de que todos correm. Inclusive você. Todos tem pressa. Pressa de tudo. De sair de casa, de pegar o ônibus, de trabalhar, estudar, ir ao médico. Pressa de fazer compras, de voltar pra casa, comer, tomar banho e escovar os dentes. Pressa em se vestir novamente, sair e chegar ao encontro dentro do prazo. Pressa em conhecer mais e mais pessoas. Pressa em torná-las amigas. Pressa em torná-las mais que amigas. Pressa em amar e "amar".

Tudo parece apressadamente cronometrado. A hora de conhecer, a hora de beijar, a hora de "amar", a hora de compartilhar. E o relógio nessa hora corre mais que nunca. A hora de mentir, a hora de ser sincero, a hora do acerto de contas, a hora das lágrimas, a hora da despedida final. E, nessa hora parece que o relógio dá um tempo e você olha ao redor. Descobre que o relógio não deu um tempo, ele "parou". Você se sente suspenso no tempo e no espaço, sem horas, minutos ou segundos.

Tudo o que você consegue ver são as engrenagens daquele relógio maluco que sempre funcionou tão bem e por tanto tempo. E, entre molas, você olha para seu vazio interior e não escuta o tic-tac. Fecha os olhos e "vê" o mundo em sua simplicidade, sente a brisa, escuta os sons do silêncio. Nessa hora, sem prazo para terminar, começa a arrumar o relógio. E sabe quando ele vai funcionar novamente?

Quando você achar um motivo para contar os minutos e os segundos. Quando você achar um motivo para "ter pressa".

A todos uma ótima semana. Beijos e tudo de bom.

sexta-feira, maio 07, 2004

De volta!!!
Agradecendo primeiramente a todos os coments deixados carinhosamente pra mim e minha familia.
E claro naum esquecendo o enorme apoio que minhas amigas e companheiras de blog me deram nesse tempo dificil.
Crescer doi muito, principalmente quando esse crescimento se dar atraves de percas irreversiveis e irreparaveis.
Mas vamos tocando o barco em frente, que se uma coisa ficou marcado em mim, foi a certeza que nossa vida eh intensamente breve, e naum devemos jamais perder tempo algum. E agente costuma saber disso, mas tambem nos acostumamos a naum colocar em pratica sempre.
Eu sempre tive muito medo de perder alguem que amo; E depois de tudo esse medo aumentou, deixando a enorme necessidade da companhia constante das pessoas que amo, diariamente.
Todas as vezes que falo com a minha mamis por exemplo, eu sinto que devo dar o maximo de amor possivel ,me indagando ser for a ultima vez?
Eh claro que como tudo nesta vida, isso tem dois lados. Um positivo, por aproximar mais e deixar de lado certas imcompatibilidades de ideias;
E um lado negativo, por me deixar paranoica, pensando que a qualquer hora eu posso receber a mesma noticia, taum chocante como a ultima.
Mas pensemos no lado bom, e por este lado, eu decidi sempre que posso, deixar bem claro tudo o que sinto, sempre;
Viver cada dia como se fosse o ultimo....
E aproveitando a passagem do dia das maes, que muita gente considera puramente comercial, deixo essa reflexaum pra voces.
Domingo, segunda, quarta... sempre... quando voce falar com sua mamis, de mais amor possivel, porque as vezes a vida nos surpreende, nos tirando essa oportunidade, nos deixando um imenso vazio e uma impressaum de: " eu podia ter feito mais... eu podia ter dado mais..."
*Gastamos muito tempo de nossa vida construindo alguma coisa, que mais cedo ou mais tarde uma onda poderah vir a destruir tudo que levamos muito tempo pra contruir.
Quando isso acontece, somente aquele que tem as maos de alguem para segurar, serah capaz de sorrir.
Soh o que permanece eh o carinho, o amor e amizade... o resto?
O resto eh feito de areia.*


Um super beijo a todos, em especial as mamaes!

( * Trecho do texto: Castelo de Areia. Autor desconhecido)

obs: o post contem erros na escrita, pq o blogger naum aceita acentos

quarta-feira, maio 05, 2004

E como é difícil ser gente...

Pensando na vida, lembrava do começo da faculdade e na dificuldade em me expressar, por medo, vergonha... não sei!

Uma vida inteira de NÃOS!...

Não pode!
Não faça!
Isso NÃO é da sua conta!

Aí num belo dia, alguém diz: - Perguntem! Pois que maravilha, aí ninguém tem dúvida nenhuma! Que foi, perderam a língua!?

Pensei...

Como é contraditório SER humano...

Vida de fases...
Tudo a seu Tempo...

E lá estávamos nós, descondicionando o condicionado...

Outras perguntas vieram: - E aí, a comida está boa!? Desta vez, a resposta veio firme, com todo o vigor da “autorização”, ora concedida: - NÃO! Não gosto muito de alho...

Os olhos espantados denunciaram a surpresa... SIM era a resposta da vez! Era a resposta esperada...

E lá estava ela... Esperando o Inesperado...

Desconfiado, o outro logo pensa: Despeitada! Invejosa! Mal educada, é certo que nem cozinhar sabe!

Persistente e com os dois pés atrás, pergunta novamente o "invejado": - E a sobremesa!?

Está ótima! Responde o “mal educado”, agora arrependido de ter sido tão sincero da primeira vez...

Está mentindo... É certo que não gostou e está falando isso só para agradar, (pensa o dono da casa...) Falsa! Nunca mais a convido pra almoçar...

“Ser gente é muito complicado, alguém viu o Manual de Instruções!?”


segunda-feira, maio 03, 2004

Quando é preciso confiar


Ele ergueu as mãos e disse: - Venha. Ela quase foi. Parou. O pé perdido no nada, em frente ao abismo. Ele disse: - Pule.Eu estarei aqui. Ela quis ir. Mas havia no peito a certeza da queda. E mesmo sabendo dos braços estendidos a sua frente. Ela não foi.

Ele estava ao seu lado. Ela de olhos vendados. Ele disse: - Siga. Eu guiarei teus passos. E no inicio ela até foi. Confiando no mão ao seu lado. A dizer onde pisar. Mas, no instante final, ela hesitou. Certa de que a estrada era ingreme e pedras insistiriam em brotar em seu caminho.

Ainda uma vez, ele pediu: - Esqueça as vozes ao lado. Ouça apenas a minha. E ela se fez surda às vozes presentes. Na sua mente, só o som dele, concentrada nos lábios que lhe diziam: - Vem. Mas, de repente, parecia-lhe sem sentido não ouvir o que outros lábios sussurravam. E ela já não mais, conseguia-lhe ouvir.

Ele partiu. Ainda pode ver a despedida refletida nos olhos dele. Ela ficou, com a certeza da estrada, as múltiplas opções do caminho e das vozes, mas a solidão que chegava com o anoitecer, começava a embotar-lhe os sentidos.